sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Até que enfim o reconhecimento! Curupá, Macacos e Brejim são reconhecidas como comunidades quilombolas.

Até que enfim o reconhecimento!
Curupá, Macacos e Brejim são reconhecidas como comunidades quilombolas.

Raimundo Ribeiro - Líder da Comunidade Macacos 
Por ironia do destino, justamente numa sexta feira, 13, recebemos a alegre noticia de que a Fundação Cultural Palmares certificou 26 comunidades quilombolas no Maranhão, dentre elas três no nosso município, Curupá, Brejim e Macacos.

As portarias de registros no livro de cadastro geral, assinadas pelo presidente da Fundação, Erivaldo Oliveira da Silva, foram publicadas nesta sexta-feira, 13, no Diário Oficial da União. Com as certidões, as famílias instaladas nas comunidades quilombolas poderão solicitar a titularidade das terras em que estão localizadas e garantir a proteção dos territórios para práticas culturais e religiosas.

O Maranhão é um dos cinco estados da federação com legislação constitucional que reconhece o direito a terra pelas comunidades quilombolas.


Ano passados fizemos uma visita a estas comunidades, veja o relato do blogueiro Smith Rosa. 


Corredeiras da Taboca - Rio Parnaíba 
O desejo de conhecer melhor a história da comunidade quilombola na localidade Macacos, extremo sul do município de Alto Parnaíba MA, fez com que os blogueiros Smith Rosa, Carlos Biah e Raildson Rocha percorressem 140 km de estrada de chão, sendo a maioria de areia, para ir ao encontro do patriarca Raimundo Ribeiro da Silva, 74 anos, que afirma ser bisneto do escravo Tomás Ribeiro, que ali chegou por volta dos anos 1860, já vindo do estado da Bahia, onde este mais tarde casou-se com Ana Vitória da Cunha e deu origem ao povo daquela comunidade.

Vista do Curupá 
A viagem em companhia dos amigos Homerino Segadilha Filho e Moisés Zú, este motorista e mecânico que tem conhecimento de todo o percurso, ainda nos proporcionou um delicioso banho nas corredeiras da Taboca e um almoço de galinha caipira na residência do Senhor Dimas Maurício na localidade Castelo. No Distrito Curupá, ultima localidade com energia elétrica, aproveitamos para tomar uma água gelada e seguir viagem.

Chegamos ao nosso destino de surpresa, onde fomos recepcionados pelo líder Raimundo. Depois dos cumprimentos e apresentação da parte de nossa equipe, o patriarca que embora sem estudo algum, carrega um grande conhecimento de vida e uma conversa agradável, com sua cordialidade e presteza se colocou à disposição para responder às nossas indagações sem perder o clima de brincadeira.

Durante o nosso bate-papo com vários questionamentos sobre suas origens, seu Raimundo contou-nos sobre a criação de uma associação para buscar melhorias para aquela localidade, falou de um descendente de maior idade que mora no Estado do Tocantins e foi trazido para esta assembléia da criação da entidade, da legalização das terras que hoje residem e trabalham, da sua primeira viagem a Alto Parnaíba, isso quando tinha 11 anos de idade, do abandono por parte dos nossos governantes, das enganações e ingratidão que sofrem na localidade. Enfim, seu Raimundo é um velho conhecedor das origens do seu povo e das ciladas da vida.

Embora a fundação Palmares já reconheça aquele povo como descendentes de quilombola e o mesmos esteja associados a uma entidade de classe, seu Raimundo diz que ainda continua à espera de benefícios que poderiam ajudar a desenvolver a comunidade. Entre as alegações do patriarca, teve destaque a falta de energia elétrica que está a menos de 20 km, estrada e escola, fatores tão importantes para uma vida digna.
Rio Parnaíba 

Enquanto tais benefícios não chegam àquela localidade, seu Raimundo que é pai de 11 filhos, continua morando em companhia de duas filhas deficientes e sem a companhia de sua esposa que foi obrigada a mudar-se para a cidade, a fim de fazer companhia a um filho que precisa estudar.


Desta forma e com seu espírito de luta e trabalho, seu Raimundo continua sua labuta diária.

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